Celebrar as artes é também reconhecer os territórios, os saberes ancestrais e os corpos que resistem.
Neste Dia Nacional das Artes, queremos ir além da data comemorativa. Queremos trazer à tona iniciativas que vivem a arte como prática diária, que reconhecem a cultura popular como força transformadora e que atuam diretamente na preservação da memória coletiva, no bem-estar e na dignidade de quem constrói cultura nas periferias, nos becos, nas praças e nos terreiros do Brasil.
Selecionamos aqui projetos que, além de expressarem arte, carregam propósito, impacto social e vínculos profundos com suas comunidades.
Bloco de Samba Anarquistas Bole Bole 🎭O Bole Bole tem como propósito a valorização das tradições culturais populares e das raízes dos antepassados, promovendo bem-estar social por meio do esporte e de ações comunitárias. A organização atua com um forte compromisso com a resistência cultural, preservando as manifestações da cultura popular através de oficinas de percussão para crianças, jovens e adultos, eventos, shows, bingos, encontros comunitários, e oficinas de manutenção de instrumentos e adereços carnavalescos.
Curso de Frevo do Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas do Recife 💃Embora o clube exista desde 1889 e seja uma das agremiações mais importantes do carnaval brasileiro, o curso de frevo foi iniciado há apenas dois anos. Seu objetivo é fortalecer o frevo recifense, promover cultura e qualidade de vida e abrir caminhos para novos integrantes da cultura popular. As aulas são realizadas na sede do clube com três professores e abrangem não apenas a técnica da dança dos porta-estandartes e passistas, mas também os sentidos políticos, culturais e sociais que o frevo carrega, valorizando as camadas populares do Recife.
DuBom Prod 🎨 Com foco em políticas públicas de incentivo à arte e cultura, a DuBom busca resgatar e fortalecer artistas periféricos. Sua principal ação é o evento IAC – Intervenções Artísticas Coletivas, que já teve seis edições com mais de 12 horas de atividades gratuitas em um domingo inteiro de cultura hip hop. As atividades incluem graffiti, pintura, breaking, capoeira, contação de histórias, sarau, duelo de caligrafia e feiras. Também promove a Mostra DuBom de Artes Visuais, que dá visibilidade a artistas negligenciados pelo mercado, com exposições, live painting, cineclube, oficinas, flashday e pocket shows.
Instituto Cultural e Social Casa Astral 🏠 A Casa Astral atua no fortalecimento da cultura popular e da economia criativa. Entre suas iniciativas estão a Rede Astralize, que apoia 50 mulheres artesãs com formações, intercâmbios e feiras; o LAB Artesãs, um laboratório de criação coletiva; o Ateliê Seu Astral, voltado à produção artesanal; e a Cozinha Bendita, que alia gastronomia tradicional e segurança alimentar, destinando parte dos lucros às ações sociais. Também promove práticas agroecológicas com o projeto Pé no Chão – Mão na Terra e parcerias com mestres da cultura como Manoelzinho Salustiano, Titinha Mamulengos e o Cavalo Marinho Estrela de Ouro de Condado.
ONG Extremo 🌈Com 19 anos de atuação, a ONG EXTREMO se tornou um ecossistema que une cultura, inovação, tecnologia e sustentabilidade. Com 70% do coletivo formado por pessoas LGBTQIAPN+, a ONG cria espaços seguros para juventudes periféricas se expressarem artisticamente. Surgida a partir de um trabalho escolar em 2006, a EXTREMO tem foco em dança urbana, especialmente a Swingueira, e oferece formações artísticas inclusivas que fortalecem autoestima, protagonismo e visibilidade para seus participantes.
Troça Carnavalesca Mista Verdureiras de São José 🥬 Criada em 1889 por verdureiros e ambulantes do Mercado de São José, a troça é uma das mais antigas do Recife. Após um período de interrupção, voltou a desfilar há 40 anos, mantendo viva a tradição do frevo como Patrimônio Cultural da Humanidade. Além dos desfiles, realiza oficinas culturais, debates, palestras e atividades de formação que promovem a integração comunitária e a valorização da cultura popular.
🌟 Porque arte é política, memória e futuro
Essas iniciativas mostram que arte não é só entretenimento — é identidade, pertencimento, cuidado e transformação.
Em cada ensaio, cada oficina, cada passo de dança ou batida de tambor, pulsa a resistência e o amor de quem faz da arte um modo de vida.
Neste 12 de agosto, celebramos quem pinta o mundo com mais dignidade, coragem e beleza.